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Segunda-feira, Agosto 25, 2008
LENDAS URBANAS DAS MINHAS REDONDEZAS 2
A parte 1 foi há muito tempo. Falei, na época, da mulher do pão de queijo e do idiota da van. Agora lhes apresento:
1) O BALEIRO TARADO
Eu moro em frente a um colégio. E na porta de tal instituição de ensino fica um cara vendendo balas, que, ao contrário da maioria dos baleiros, não tem o apelido de Pelé. Ele é velho, barbudo (barba branca) e barrigudo; mas o que o leva a ser uma lenda urbana e não apenas um mero baleiro é seu nojentíssimo olhar tarado.
Não adianta. Eu atravesso a rua antes para não topar com ele todos os dias, porque quando qualquer ser do sexo feminino passa pela frente dele, ele cumprimenta "ei, gatinha", acompanhado do olhar mais tarado e nojento de todos os tempos. Já percebi também que não sou a única que adota estratégias para fugir do olhar tarado nojento. Disgusting!
2) O CORREDOR ETERNO
Várias vezes estou andando lá perto de casa, ou às vezes nem tão perto assim, e passa por mim um cara praticando corrida, com aquelas blusas com número e tudo.
Eu o vejo com frequência, nos mais variados horários, e sempre correndo. No começo pensei que eu podia estar imaginando o cara (uma coisa assim meio John Nash), mas perguntei para outras pessoas e várias o veêm também, e sempre correndo. Fiquei imaginando se ele não é o espírito de um cara que corria por ali sempre e morreu atropelado ou coisa do gênero, ou se jogaram uma maldição sobre ele que o obriga a correr sem parar até que alguém se apaixone por ele ou ele descubra o segredo da vida.
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10:04 AM
Quinta-feira, Agosto 21, 2008
Alguns atos falhos são difíceis de perceber e analisar, outros nem tanto. Eu caí em um bem óbvio repetidas vezes nas últimas semanas. E tem lugar melhor para ter atos falhos do que em um consultório de psicologia?
Há umas 3 semanas, as minhas sessões de terapia vinham sendo meio esquisitas. Eu saía de lá mais confusa do que entrava e cheia de raivas e mágoas. Toda hora que eu ia falar o nome da minha psicóloga, eu quase soltava o da antiga (a picareta, lembram?). Eu ficava tentando entender por que fazia isso.
A sessão de ontem foi fantástica. Muito boa mesmo. Saí de lá me sentindo super iluminada. Ela me falou umas coisas que eu fiquei chocada de tão reveladoras, possibilidades que eu nunca imaginei. Enfim, foi ótimo. E de repente, voltei a chamá-la pelo nome correto. Bem óbvio, não?
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5:09 PM
Terça-feira, Agosto 19, 2008
E não é que meus problemas de auto-estima se levantam da cova para me incomodar...
Achei que tinha resolvido isso tudo. Achei que tinha enfrentado a imagem distorcida que eu tinha de mim mesma. Inteligente, eu sempre me achei, mas me achava chata e feia. Depois fui ficando mais bonitinha e fui percebendo como as pessoas gostam de mim. Portanto, fui firmando na minha cabecinha neurótica que eu sou bonita e legal.
Mas agora surge tudo novamente e eu estou com uma dificuldade gigante pra perceber se meu juízo de mim mesma atualmente vem 1) da minha neurose, 2) da realidade ou 3) do jeito que me sinto com meu namorado (sim, eu voltei, depois de tudo).
Fica tudo tão complicado porque eu ando estressada, eu exijo muito de mim mesma, e eu me aventuro em mil coisas ao mesmo tempo. É o trabalho, os frilas, a pós-graduação, a capoeira, a corrida (cismei de correr agora e estou me dedicando loucamente), minhas leituras (estou lendo Dom Quixote agora), namoro e amigos. Pra piorar, eu preciso dormir umas 8 horas por noite pra funcionar, o que é muito. E ainda tenho que me preocupar em estar bem vestida, com o cabelo bonito e unhas feitas, em ficar magra, em juntar dinheiro. Saco!
Aí fico desse jeito. Queria fazer mais coisas, mas não dá tempo. Tô sempre cansada e com preguiça. Aí me acho preguiçosa e burra. Fico pensando que todo mundo hoje em dia faz um monte de coisas e é feliz. E que só eu fico reclamando e cansada.
Entra então meu namorado em cena. Ele me corrige muito, é meio rude e raramente concorda comigo sobre qualquer assunto. Raramente mesmo. Além disso, ele acha capoeira ridículo e faz questão de falar mal o tempo todo. Fica falando que tambor não é música e não sei mais o que. Ele me dá bronca quando me empolgo com algum assunto e falo alto. Tudo que eu falo meio despretenciosamente, ele pega e começa a analisar e a refutar, como se eu tivesse diante de uma banca na minha defesa de mestrado.
Eu me sinto vigiada, tenho medo de falar qualquer coisa pra não entrar numa discussão ou pra não ser criticada. Eu me aventuro nas coisas que ele gosta: correr, jogar xadrez, conversar sobre a faculdade dele. Mas claro que, como são as coisas dele, ele me supera nelas. Como ele rejeita tudo que eu gosto: capoeira, seriados, os livros que eu leio, meus amigos; eu acabo me sentindo toda errada.
Mas então entram as grandes questões: ele que está errado ou é minha neurose? Eu tinha que ser mais segura? Eu evito conversar com ele sobre qualquer coisa para não me sentir mal ou falo um foda-se para o opinião dele? E a maior de todas elas: eu devo namorar com alguém que me faz eu me sentir assim ou isso que está se passando independe de namorado e é coisa da minha cabeça?
E o pior é que quando eu fico triste porque ele age da forma lá dele, ele fala que eu levo para o lado pessoal, e que nas discussões ele não está sendo agressivo, mas sim sem modos.
Eu realmente estou a um ponto de enlouquecer. Choro toda hora. Não sei o que pensar.
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8:18 AM
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Eu sou a Ayane. Acabei de fazer 26 anos, o que me torna oficialmente uma pessoa adulta. Apesar disso, me sinto ainda com 20 anos (às vezes até 18). Trabalho como redatora de Ensino à Distância e faço bicos como revisora e jornalista. Adoro meu trabalho e sou realmente muito boa no que faço. Faço capoeira há alguns anos e sou apaixonada. Viciada mesmo. Sou viciada também em chocolate.
Adoro ler, ver TV e cinema. Eu me transporto mesmo para o mundo da ficção. Odeio luz acesa durante o dia porque dá ar de decadência. Odeio que encham meu saco por causa de assuntos relacionados com sono (porque eu dormi demais, ou porque cochilei no ônibus ou numa palestra, odeio!). Não tenho a menor paciência com gente lerda, que não entende piadinhas nem referências culturais.
Sou muito ansiosa e maluca. E dizem que eu sou bem carismática (mas eu não acredito por causa da minha baixa auto-estima). Sou muito boazinha, mas sarcástica em certos momentos.
Não faço nada escondido, pois não me envergonho dos meus atos. Tenho um gosto musical maluco, que vai desde Britney Spears e trilhas da Disney a forró e música clássica.
Meus amigos são um bando de malucos (não estou falando de doidinhos, mas de malucos mesmo), mas amo todos eles. Minha família é bem divertida e unida, e eu moro com eles (já tentei sair de casa, mas não gostei da experiência). Conheço muuuuita gente e sei de apenas três pessoas que me odeiam abertamente. Até que estou bem, não é?
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