Terça-feira, Abril 26, 2005

Já dizia Mestre Bimba que: "Passe bem ou passe mal, tudo na vida é um passar."

A gente sabe disso. E até finge que aceita. Mas quando se depara com a realidade de que tudo, realmente, passa, não é tão simples assim.

Complica porque nem nossa cabeça, e muito menos nosso coração, sabem lidar com o fato de que tudo acaba. As amizades acabam, até o amor acaba. As crianças crescem, as roupas caem de moda e até as coisas que a gente mais gostava, de repente, não nos interessa mais. Acima de tudo, as pessoas mudam.

A gente luta, se rebela, tenta inutilmente reverter uma situação que já está estabelecida.

É preciso aceitar, e eu digo isso mais na tentativa de me convencer do que por qualquer outro motivo, que quando isso acontece não é necessariamente ruim.

Lembro agora quando minha melhor amiga veio falar comigo, aos prantos e sem a menor esperança no futuro, que seu casamento acabou:

- Amiga, porque as coisas têm que acabar?

E eu respondi:

- Para que outras comecem.

Agora tenta dizer isso para essa tristeza que toma conta de mim...

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Sexta-feira, Abril 22, 2005

Acho que nunca estive tanto no ar! Só sei que não tenho certeza de nada. NADA!

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Segunda-feira, Abril 18, 2005

Nunca tomei uma decisão tão rápido. Me ligaram na sexta à tarde me chamando para ir para a Serra Do Cipó, a carona saía em meia hora. Joguei as coisas na mala de qualquer jeito e fui.

Foi maravilhoso!

Pela primeira vez não fiquei acampada, mas na casa de pessoas nativas de lá. Aproveitei que fui com uma menina que é guia no Cipoeiro e fiz todos os passeios e esportes radicais de graça. Fiz rapel, escalada, canoagem, tirolesa, ponte tibetana e outras tantas coisas que os turistas pagam horrores para fazer. Uhu! Arrasei!

Convivi com o pessoal de lá, visitei lugares que eu não conhecia.. Foi incrível! Não gastei um centavo. Fui de carona, fiquei hospedada. Comia até... Minto, gastei 8 reais em um bar. Hehe.

Só não digo que foi perfeito por causa das mil marcas de carrapato que agora enfeitam o meu corpo (além de coçarem loucamente).

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Terça-feira, Abril 12, 2005

Festa de aniversário do dono da boate. Para começar, parecia uma colagem do meu passado, presente e futuro na vida noturna gay. Todas as turmas estavam lá. Todas fechadinhas, dançando juntas em suas rodinhas. E eu andando entre todas elas. É engraçado lembrar das turmas que eu já frequentei.

Estava lá a turminha completa das barbies do passado. Você pode até não ser de Belo Horizonte, mas tenho certeza de que, onde você morar, tem uma turminha dessas. São os mais populares, fortes e dançam sem camisa. Fazem pool-parties chiquérrimas. Alguns deles são riquérrimos e algum, invariavelmente, dono de alguma coisa. Os outros pegam carona na riqueza alheia. Sempre tem uma mulher hetero entre eles.

Mas vocês se enganam se acham que eu já fui essa mulher ou serei. Só que eu conheci todas elas.

É muito engraçado ver que eles mudaram sim. Alguns engordaram, outros ficaram mais bonitos. Eles pararam de sair para a boate, mas fizeram um retorno ao "lar" nesse dia. Vai entender...

E a turma das barbies do presente estava lá também, meio desfalcada, mas estava. A aspirante a mulher da turma das barbies do passado agora cumpre o papel com louvor.

Estavam lá as outras turminhas. Umas que sempre estiveram por lá e que eu fui conhecendo com o tempo. Todas elas. Meu ex-melhor amigo, meus atuais melhores amigos... Dancei com tanta gente. O curioso é que nenhum interesse amoroso meu (passado ou presente) estava por lá.

Resumindo, a noite foi um mosaico maluco das mais diversas fases da minha vida gay. Foi no mínimo muito divertido.

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Quinta-feira, Abril 07, 2005

EU E A COMIDA

Eu tenho uma relação surreal com os alimentos e seu poder engordativo. Porque eu sou uma daquelas pessoas constantemente no limiar entre corpo ok e chuby. Teoricamente eu deveria me cuidar. Mas é aí que entra a surrealidade da coisa.

Porque lá no primeiro regime que eu fiz na vida, fizeram uma espécie de lavagem cerebral em mim que eu não consigo, não mesmo, beber nada com açúcar (tem que ser com adoçante) e nem refrigerante normal (só diet ou light).

Até aí é pássavel. Plenamente condizente com uma pessoa obsecada com regime. O problema é que eu não sou essa pessoa. Nunca passa pela minha cabeça olhar a caloria dos alimentos. Como doce o tanto que tiver (sorte minha que aqui em casa não tem muito). E quando alguém comenta: "Isso é uma bomba de calorias, gordura, etc...", eu respondo: "Que dó", enquanto dirijo a dita delícia à minha boca sem o menor peso na consciência.

Outro fato bizarro da minha relação com a comida: minha TPM é caracterizada por um súbito, incontrolável e insaciável apetite, sem nada de tristezas, mau-humor.

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Segunda-feira, Abril 04, 2005

Final de semana bizarro e eclético.

A cura da minha amigdalite trouxe uma volta pra capoeira que foi linda. O Mestre foi um fofo. Falou que ficou com saudades. Hehe... As meninas foram TUDO! Toda hora que chegava uma delas, olhava pra mim, abria aquele sorriso e vinha me dar um super abraço, perguntando se eu estava bem e falando que estavam com saudades. Eu estava louca de saudades!

Sexta à noite eu saí. Voltando ao ambiente GLS. Para ser sincera, não gostei muito. Fiquei desconfortável e me sentindo deslocada o tempo inteiro. Deve ser por isso que eu bebi tanto. Mas, enfim, eu não estava na boate. Porque por mais que eu tenha mil amigos gays e que eu tenha minha porção gay, eu só gosto da boate.

Sábado teve rodinha de capoeira de novo. E lá vou eu de ressaca. Depois da roda as meninas vieram me contar o que eu perdi no Cipó. Deu vontade de chorar. Mas vão ter outras vezes! Eu só tenho que me convencer disso.

Cinema à tarde, festa de família à noite, aquelas coisas...

Domingo eu acordei péssima. Com aquela sensação recorrente na minha vida de que eu não pertenço a lugar algum. Difícil explicar. Acho que precisa de um post inteiro (e ele vem, prometo).

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Nome: Ayane
Idade: 24 aninhos
Vícios: chocolate, ficção científica, capoeira, Britney Spears (não me matem!), música eletrônica, Disney e literatura.
Ódios: pessoas enroladas, que pedem satisfações ou acomodadas
Ocupação: jornalista e escritora